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Notícias
12/5/2010
Quimioradioterapia após Cirurgia no Tratamento do Câncer de Estômago

A cirurgia para o tratamento do câncer gástrico é a opção terapêutica de escolha sempre que possível, associada a quimioterapia peri-operatória ou quimioradioterapia (QRT) pós-operatória em tumores de estágios superiores a T2N0, com demonstração de aumento de sobrevida na associação.

No entanto, ainda persistem dúvidas quanto ao valor da extensão da cirurgia de ressecção linfonodal e seu impacto na sobrevida global dos pacientes.

A linfadenectomia D1 remove os gânglios linfáticos localizados num perímetro de até 3 cm em relação ao tumor, em bloco com o estômago e o grande epíplon. A linfadenectomia D2 também inclui a bolsa omental, os gânglios celíacos, hepatoduodenais, esplênicos e retroduodenais. Para remover completamente os gânglios do hilo esplênico, as ressecções D2 clássicas também incluem esplenectomia e pancreatectomia distal em tumores proximais.

Em recente estudo publicado no periódico JCO, foi realizada uma comparação retrospectiva dos pacientes que participaram de estudos de quimioterapia adjuvante com relação ao impacto da QRT relacionada a sobrevida global e recorrência, além da influência da linfadenectomia, D1 versus D2, buscando responder se o tratamento adjuvante interfere nos possíveis benefícios de uma ressecção linfonodal mais ampla.

Este estudo demonstrou uma redução significativa na taxa de recorrência local no grupo tratado com QRT quando comparado com o grupo tratado com cirurgia exclusiva (HR = 3,23, p= 0,0015).

A despeito desse achado, as taxas de aparecimento de novas mestástases não foram diferentes entre os grupos, e também não houve melhora da sobrevida global ou sobrevida livre de doença.

Interessantemente, os melhores resultados foram obtidos nos pacientes que realizaram linfadenectomia D1. A recorrência local após dois anos foi significativamente menor no grupo de QRT e D1 quando comparado ao grupo da cirurgia isolada e D1. (2% v 18%; HR=11.10; P=0,001). Nos pacientes tratados com ressecção D2 seguidos por QRT ou D2 isolada, não houve diferença com relação à taxa de recorrência (12 x 13%) ou sobrevida global (64 x 63%).

Os autores concluem que a QRT pós-operatória agrega maior impacto na prevenção da recorrência local do câncer gástrico ressecável, apesar de aparentemente não adicionar benefício adicional nas recorrências à distância. Pacientes com ressecção D1 e margens radiais microscopicamente positivas parecem receber o maior benefício da QRT adjuvante.

Fonte: JCO, maio de 2010.


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